Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Fernando Lopes-Graça

"Se considerarmos o grau de desenvolvimento, e quiçá de esplendor, que certos aspectos de cultura artística e literária atingiram entre nós no decorrer dos tempos, não podemos deixar de ficar surpreendidos ao verificar que a música, de uma maneira geral, nunca acompanhou a marcha nem atingiu o estádio relativamente superior dessas outras manifestações da nossa vida espiritual. Pode perfeitamente falar-se de uma literatura portuguesa, (...) de uma arquitectura portuguesa, (...) de uma pintura portuguesa, (...)".

"Parece-me, no entanto, que já não podemos falar ou que será mais difícil falar de uma música portuguesa, tomando esta expressão, evidentemente, no sentido erudito e não no sentido étnico.

O que poderia formar uma escola nacional de música,ou conferir a Portugal alguma vitalidade musical no domínio da criação, seria a existência de pelo menos meia dúzia de obras importantes, significativas, que constituíssem por assim dizer os seus marcos históricos".

(...) Quais são as obras que constituem o corpus histórico da música portuguesa?

(...) O processus histórico da música portuguesa (se processus há no que não apresenta uma feição orgânica) é descontínuo, cheio de hiatos, sem núcleos vitais e sem figuras realmente representativas. O único período em que na nossa produção musical há uma certa continuidade histórica, e que é aliás, parece-me, o único digno de nota, é o dos polifonistas da chamada Escola de Évora, (...) não me parece, digo, que esse seja o tal período excepcional, aquele período que, só por si, pela envergadura das suas criações, basta para dar foros de criadora de uma cultura musical e marcar na história da arte de um país um ponto luminoso, um estádio valorativo da sua personalidade espiritual, e até uma fase necessária na evolução geral da música, como foi o caso, por exemplo, dos polifonista neerlandeses e dos viginalistas ingleses (...)".

Excertos de uma conferência de F.Lopes-Graça, realizada em 1943

 

 Filomena Amaro, soprano e Gabriela Canavilhas, piano


publicado por divagares às 19:04
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